The wall

 

Mais um mês, outro verão. Acabou. Foi julho, é agosto.

O ontem das praias lotadas, das sestas e das paqueras. Um quê de religioso, a bebida faz-se sagrada nas “louras” dos botecos, “engarrafando” as mentes. Desfrute do descanso, dias de revisão. Manutenção. Modificação.

 

Mudar, o tempo todo. Sempre. Cada minuto, segundo , milésimo de segundo. Um grão de areia move-se, e o que era há um instante, se desfez… A gota d’água evaporou, alguém chorou, outro sorriu, enquanto partiram-se. Partiu, o que foi, o que éramos, o que se construiu.

 

Mas a vida é assim, uma eterna construção e destruição. Shiva, renova! Aponta sua trishula para os homens. Retire a inércia e instale o bem, alegria e amor.

 

Confraternizamos, conversamos, compartilhamos, descansamos. É tempo de renovar, olhar a si e ao próximo, inicia um novo ciclo. Momento de trabalhar duro, cumprir os deveres e exigir os direitos.

 

Basta de impunidades! Não vendam a ilusão.

 

Expulse a inércia, convide o trabalho. Pensai-vos em prol de cada um e de todos nós.

 

Julho, se foi. Vivemos, está lá.

 

Agosto… Mês de confraternizações, renovações e reordenações.

 

Qualquer coisa que façamos em prol de nosso próprio bem-estar e no dos outros, é construtor. Elevarmos-ei o muro das virtudes!

 

Não queimem florestas, nem roubem ou joguem lixo na rua. Ame(é)m!

 

Nosso bem-estar é o resultado do convívio harmonioso entre todos.

 

Damaru, tocai a canção. Controle o tummo.

 

Re-união.

 

Fabíola Corrêa

 

 

 

Vídeo “A história da não-violência”, parte 2/5.

A parte 1 do vídeo foi publicada no dia 17 de março de 2007.

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Os conhecidos também morrem

Quando soube da morte do Professor Lauande (hoje de manhã), fiquei um tempo sem acreditar que fosse a pessoa que eu estava pensando. As informações batiam: Lauande, comunista, professor de Sociologia… ainda tenho uma sensação estranha toda vez que sei que um conhecido meu (mesmo que seja de vista, como praticamente se trata nesse caso) morre. Isso significa que ele não existe mais. Sei que as pessoas morrem, mas é diferente quando se viu elas vivas, raciocinando, se movimentando… O cérebro do Lauande não pensa mais! Seu corpo não se move mais! Sim, podem argumentar que suas idéias continuam vivas, quem quiser acessar o blog dele e estiver desavisado pode pensar que nesse momento ele está pensando no próximo post… porque seus textos são uma prova em contrário, estão lá, escritos no presente: eu acho, eu tô vendo, lendo… Tudo bem, mas não é disso que eu tô falando.

Fui aluno do Lauande no segundo ano do ensino médio, no CEFET, numa época em que fui comunista, assim como ele. Um comunista não muito autêntico, com muitas dúvidas políticas e existenciais – esse tipo de coisa que vai minando o comunista. O próprio Lauande era um comunista do século XXI, pois defendia a democracia. Também tinha toques de anarquismo, já que não tolerava provas e notas. Todo mundo tirava 10 com o Lauande, mas era perceptível a olhares mais atentos que para ele aquilo não passava de números, exigências canhestras do sistema de ensino capitalista. O que ele pretendia enquanto professor era esgrimar contra o comodismo pequeno-burguês de nós, adolescentes. Isso com um fino senso de humor, de forma que as provocações passavam desapercebidas a muitos. Não durou muito como nosso professor. Logo foi substituído por uma gordinha que adorava provas, notas e listas de frequência. Mas que era só isso.

É o que eu lembro de Lauande e foi assim que nossas existências se cruzaram. Ele, em sua solicitude, ainda nos deixou no quadro o seu email. Lembro que anotei e que começava com a palavra “mocajuba” e o número 21. Vendo o perfil no seu blog, entendi que Mocajuba tinha um significado especial para ele. Já pensei em mandar um email para ele, mas é aquilo que já falei: nunca pensei que ele fosse morrer.

Alan Araguaia

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Verdadeiros amigos

Criamos datas para comemorar relações que na verdade acontecem todos os dias, independentemente das festividades. Seja o dia das mães, dos pais; hoje, 20 de julho, celebra-se o dia do amigo. Ah, mas para isso não precisa de data, é só chamar para uma mesa de bar, para ver o luar e o pôr-do-sol, ou simplesmente para estar ao lado, todos as horas.Amizade é ligar no meio da noite para saber como está, dar boa noite e receber um sorriso em troca, abraçar, apoiar, chorar junto, chamar a atenção, rir, cochichar, olhar ternamente, aconselhar…

Não é qualquer um, o colega, alguém que conhecemos ontem e nos chamam de “amigo” porque simpatizou ou nos achou “legal”. Amigo não nasce do nada, de um dia para o outro, do inoportuno. É um processo de caminhar, construir a confiança e o sentimento de fidelidade.

Palavra tão proferida, carrega um forte significado muitas vezes profanado e jogado ao vento. Tão profundo, é fortaleza, verdadeiro e lúcido.

 

Um amigo que trai, nunca foi amigo, porque os verdadeiros são fiéis. Assim como Deus e nossos pais, as grandes amizades acontecem pelo amor, carinho, atenção e empatia. Professores e alunos, todos os são. Estamos sempre ensinando e aprendendo.

 

Eles dão o chão que nos falta, cintilam entre o céu estrelado, florescem os campos verdejantes, ouvem-nos como músicos e nos amam incondicionalmente. Amar, sentimento que move o mundo, é a base das verdadeiras relações de amizade. O amor constrói.

 

Tal diz a música, “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito…”.

 

Amigo é assim, nos diz o quanto somos importantes sem precisar usar as palavras, ama pelo que somos, compreende e confia. É o irmão que não se teve, uma extensão da família.

 

Amigo é isso, não sei explicar. Ele É.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amo-os, amigos.

Fabíola Corrêa

 

“Here comes the sun”, cantada por Nina simone. Música dos Beatles composta por George Harrison.

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Metalinguagem 2

Corporativismos ou espíritos de corpo a parte, tenho que registrar aqui críticas pontuais ao curso de Comunicação Social da UFPA. Falo pontuais, porque reconheço que o curso tem evoluído, baseado tanto em minha experiência pessoal quanto em relatos de dinossauros, mamutes, e outras espécies pré-cambrianas do curso.

Esse ano tivemos um Intercom-Norte sediado aqui, e posso dizer que valeu o esforço – estive ajudando na organização. Os laboratórios, especialmente o de TV, melhoraram bastante, com novos equipamentos e técnicos.

Existe uma nova geração de estudantes que encaram a universidade como algo além das salas de aula. Cito em especial o pessoal do Cardume, que traz computador e datashow de casa, corre atrás de autorização para usar os auditórios e loca os filmes (de última hora, mas locam) para exibir de graça, tudo por conta própria, sem esperar os messias estudantis ou a misericórdia institucional. Enfim, o curso de comunicação respira novos ares.

As críticas pontuais se referem ao seguinte: o desleixo da coordenação do curso quando se trata da contratação de professores substitutos. Vejam, não é preconceito contra os professores substitutos, porque ser substituto não é atestado de incompetência. Prova disso é que atualmente temos professores dessa situação empregatícia bastante dedicados e qualificados. Mas por que, sempre que se abre concurso, aparece uma ou outra peça que deveria passar longe de uma universidade?

Pessoas que declaram abertamente não gostar de dar aula, estarem só fazendo um “bico”; outras que não tem condições mentais e/ou emocionais para exercer a função. Depois, o aluno passa por chato, por aquele que exige muito e não olha pros seus próprios atos, quando se revolta com eles e organiza abaixo-assinado, discute com professor em sala de aula… eu acho que antes não ter ninguém do que ter alguém pra “avacalhar” ou só pra dizer que o quadro de professores está completo.

Ora, esse artigo é bem factual… os estudantes de jornalismo da federal bem o sabem.

Alan Araguaia

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Perdão

Perdão Senhor
Perdão Mãe
Perdão Divino
Perdoa amém

Perdão mãe
Perdão pai
Perdão irmão
Perdão avós

Perdão tios e tias
Perdão primos e primas
Perdão amigos
Perdão professores

Perdão ex
Perdão és
Perdão sim
Perdão (aos) saudosos

Perdão amores
Perdão amados
Perdão apaixonado
Perdão sincero

Perdão aos que me machucaram
Perdão aos que machuquei
Perdão aos que ainda não perdoei
Perdão aos que ainda não me perdoaram

Perdão pelas palavras
Perdão pelos atos
Perdão pelo olhar
Perdão pelo sentir

Perdão pedido
Perdão perdido
Perdão partido
Perdão parido

Perdão esquecido
Perdão lembrado
Perdão guardado
Perdão falado

Perdão
Perdôo
Perdoei
Perdoai-me.

Fabíola Corrêa

“Empty house” – Air

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Metalinguagem

Caros amigos,

Esta postagem é para falar de nós mesmos. Muita gente não sabe, mas ontem foi encerrado o IV Congresso Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Norte, o Intercom Norte, que aconteceu em Belém de terça (19/06) a sexta (22/06). Antes de tudo, esta é uma postagem de agradecimento.

O controversus foi eleito pela comissão julgadora do Expocom Norte (Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação da Região Norte) como o melhor trabalho da Região Norte na categoria Jornalismo, modalidade Revista Digital. O Projeto Controversus agora será apresentado em Santos, no Intercom nacional. Nosso blog é o representante da Região Norte (muita responsabilidade!).

A equipe do Controversus gostaria de agradecer, primeiramente, a todos os professores do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará, tanto os de jornalismo quanto publicidade, pois nós acreditamos numa formação plena, interdisciplinar, híbrida. São estes princípios que nortearam e norteiam as intervenções neste blog.

Mais especificamente gostaríamos de agradecer ao Professor Lázaro Magalhães, que nos deu todo o apoio e acreditou no projeto desde a sua fase de elaboração, na disciplina do Laboratório de Jornalismo Digital e Novas Mídias, até agora, quando ganhamos (ele fez inclusive uma “revisão” conosco das características principais da hipermídia, hehehe) . Valeu Lázaro!

De fato, o Intercom Norte foi uma vitrine dos trabalhos da UFPa. Apesar de todas as críticas (pertinentes) feitas ao curso de Comunicação Social, pelo menos 70% dos trabalhos experimentais aprovados são da Federal. Isso mostra, sem demagogia, que nossa formação não é tão deficiente assim. Claro, muita coisa ainda precisa mudar, e pra isso precisamos da compreensão e união de alunos, professores e profissionais. Essa luta é nossa e é interminável.

Não podemos deixar de dizer que alguns bons trabalhos de universidades particulares, como Unama e Iesam, por exemplo, também estão representando a Região Norte. Isso é um sinal que a mentalidade das universidades particulares de Belém está começando a mudar, sendo que muito dessas mudanças são resultados de intervenções dos profissionais (principalmente os professores) que atuam nessas universidades e estimulam os alunos a participarem de um congresso como esse, provocando o pensamento crítico (em especial sobre a Amazônia) e a uma experiência de vida diferenciada, com o contato com produtores de conhecimento em toda a região Norte.

A equipe gostaria de agradecer também à coordenadora do Intercom Norte, Professora Maria Ataíde, por ser prestativa e simpática conosco no cogresso inteiro. Alguns membros do Controversus, como a Fabíola e o Alan, tem mais agradecer do que eu. Eles participaram da comissão organizadora do Intercom e trabalharam diretamente com ela. Eu conheci a Ataíde há pouco tempo, e a escolhi como orientadora do meu trabalho de conclusão de curso. Ela aceitou. Bom pra mim :) Ela é uma pessoa dedicada e determinada, que chegou na UFPa recentemente, há apenas de dez meses. O Intercom Norte foi considerado, pelos representantes da organização nacional, o maior encontro de Comunicação da Região Norte, tanto em termos qualitativos como quantitativos (mais de 1000 participantes). A Comunicação Social da Região Norte, principalmente em Belém, agradece a ela. Com esse congresso, ela conseguiu mostrar pra nós estudantes, professores e profissionais de comunicação, que é possível mudar, é possível fazer diferente, é possível fazer a diferença.

Eu gostaria de agradecer à minha companheira ( namorada e melhor amiga) Ana Paula Freitas, que elaborou um desing mais arrojado para a minha apresentação no Expocom Norte (tava tudo em preto-e-branco, só texto, muito ruim mesmo!), além de me apoioar sempre, pricipalmente depois que recebi a notícia que iria apresentar o blog.

Por último, agradeço aos meus amigos do Controversus:
Natascha Damasceno, pelas suas contribuições para as dicussões no blog.
Fabíola Corrêa, que apesar de me dar essa apresentação em cima da hora, correu tudo bem. Ela foi a pessoa que mais acreditou nesse projeto, sempre o alimentou e quis levá-lo até o fim.
Nerusa Palheta, grande amiga, apreciadora das artes, da fotografia e dos clássicos da música brasileira, como mutantes , secos e molhados, etc. Muitos debates rolaram a partir daí.
Alan Araguaia: grande amigo (melhor amigo) do curso de Comunicação Social da UFPA. Nossas discussões vão desde a sala de aula até a mesa de bar, claro. Já chegamos ao absurdo de ler Platão, “A insustentável leveza do ser” e “Os carbonários”, por exemplo, no Copo Sujo e em outros bares perto da saída da Federal, não dá pra lembrar o nome de todos porque alguns não tem nome e minha memória também não é tão boa assim.

Obrigado a todos!

Fabrício Mattos

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Amar, amor

Ontem conversava com uma amiga e falávamos de nossas aventuras e desilusões amorosas, de pessoas que passam em nossas vidas e deixam marcas intransponíveis, como furacões: Chegam, arrasam e vão embora. O que fica?

Bem, depende de como encaramos essas histórias. Às vezes, nem nós mesmos entendemos o que sentimos, há mágoas, ressentimentos, decepções e frustrações. Confusos, damos um passo adiante, em busca do crescimento .

Algumas pessoas entram e saem de nossas vidas sem avisar, e quando nos damos conta, ficou-se uma marca, que sangra, sangra até cicatrizar. Quando tudo parecia mágica, o momento perfeito, tudo se esvai. E o que mais dói? É o desrespeito, a incompreensão, a falta de carinho. Você se dedica a alguém e investe seu tempo e energia, mas a recíproca não é verdadeira. Em troca, um beijo de consolo e, quem sabe, uma noite de amor. Amor, mas o que é isso? Quem inventou essa história de amar?

Em um sentido amplo, amor é um forte sentimento de apego. Origina do latim amore,definido pelo Dicionário Aurélio como “(s.m.) 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa… 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa; devoção; culto; adoração… 9. Afeição, amizade, carinho, simpatia, ternura. 10. Inclinação ou apego profundo a algum valor ou a alguma coisa que proporciona prazer, entusiasmo, paixão”.

Existem tantas formas de amar: próprio, a Deus, de mãe, filho, amigo, companheiro, etc. E tipos de amor: fraternal, sentimental, sexual, platônico, romântico. A certeza de que estamos inebriados de amor entre parceiros é quando sentimos pelo outro admiração e desejo sexual, companheirismo, dedicação, afeto e respeito.

Segundo o apóstolo Paulo, “o amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (I Coríntios 13: 4-7).

O processo químico envolve os neurotransmissores dopamina, feniletilamina e o hormônio ocitocina, este último exerce um importante papel no estímulo sexual e na reprodução humana. A dopamina é sintetizada por certas células nervosas que agem em regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, a sensação de prazer e a motivação. Já a feniletilamina é responsável pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados, controlando a passagem da fase do desejo para a fase do amor, está presente no chocolate e é usado na elaboração de substâncias psicoativas, pois proporciona a sensação de prazer, a exemplo do ecstasy.

A Dra. Helen Fisher, antropóloga da Universidade Rutgers e autora do livro The Anatomy of Love, fez um quadro com as várias manifestações e fases do amor e suas relações com diferentes substâncias químicas no corpo:

Manifestação

Conceito

Substância mais associada

Luxúria

Desejo ardente por sexo

Testosterona

Atração

Amor no estágio de euforia, envolvimento emocional e romance

Altos níveis de dopamina e norepinefrina

Baixos níveis de serotonina

Ligação

Atração que evolui para uma relação calma, duradoura e segura

Ocitocina e vasopressina

Fonte: Site BoaSaúde, texto A Paixão sem Mistérios? A Anatomia, a Química e a Biologia do Amor

Como se vê, amor envolve todo um processo de substâncias e não está ligado somente aos sentimentos. Ah, mas o furor das emoções, do olhar terno, do beijo caloroso e do afago carinhoso, isso ninguém explica.

Voltando a conversa sobre relacionamentos, cada um define o grau de importância que outra pessoa tem para nós. Ainda que duas pessoas estejam juntas, o grau de interesse pode não ser igual, podendo significar um breve momento para um ou um duradouro compromisso para outro.

Amar é tão bom, é o nosso combustível que nos faz viver, impulsiona para frente e nos dá força, estimula e cativa. Mesmo que nos decepcionemos, que alguém não seja o que esperávamos que fosse (seja pelas atitudes, pelo tratamento e envolvimento), ainda nos resta a esperança de achar o verdadeiro amor.

Olhar para trás, sentir tristeza e decepção, e acreditar que o novo virá e sorrirá para você é chamado de “esperança”. Esperar que algo de bom venha nos agraciar, de que, como sendo únicos, completamo-nos por si sós, e amemos ao nosso ser e de que outro nos aceitará como somos, repletos de virtudes e defeitos.

Eu espero por muitas coisas, sucesso, realização profissional e pessoal, o amor verdadeiro. Eu e a torcida do Flamengo. Enquanto isso não vem, a gente vai trabalhando pra ter, caindo e aprendendo, deixando pra trás as pedras do passado e sorrindo para as flores do presente.

“Only you”, Portishead

Fabíola Corrêa

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Coisas quaisquer

A fera
Fera que se debate nas paredes de pele
ávida quer devorar o distante
se se liberta corre em exaspero
pois o domador ronda e ameaça
não sejas tão bruta
deixa a vontade sentar e
saboreia junto à mesa

Gritos e gargalhadas perpassam meu muro
com uma cratera no meio
tento compreender por que
ele já estava aí quando cheguei

As ruas de minha cidade são feias
o calor aumenta minha ira
me pego a conversar comigo
querendo mais daquilo
que não provei

As palavras não servem
senão para sua própria procriação
melhor é calar-se
e sorrir sem constrangimento

Não sei se o que faço é poesia
nem se o que digo faz sentido
só quero saber se o que sinto
pode ser mutacionado em linguagem.

Alan Araguaia

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Melodia errante

Como dizer o que deve ser dito?
Palavras?
Imagem?
Som?

Para quem dizer o quê?
Ensejo falar, mas como fazer?
Ouvirá?
A voz ou o coração?

Viver de falácias
Aparências lúdicas
Pôr-se em escrito
Ditos do olhar

Olhos da alma
Pele
Voz
Ouvidos

Sinais
Marcas
Rastros
Um fio de cabelo

No vento se vai
O que se deixou
Fazer o quê?
Percorrer

Ilusão é acreditar que tudo é real
Quando o real está além da ilusão
Ilusório é sonhar
Um sonho de ilusões

A verdade está lá
Pulsante de desejos
Empanzinando pensamentos
Entre o monção das horas

No acorde das passadas
Uma pausa, reflexão
Tocando o Dó
Staccatos de orvalho

No legato dos passos
Solea, solea
Pizzicato entre as notas da vida
Toca a canção e faz delirar.

Fabíola Corrêa

O virtuosismo do violonista espanhol Paco de Lucia tocando “Entre dos aguas”

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Pensamentos e sensações

Ás vezes penso que Lygia está me deixando doida. Mas não era a própria vida que andava me enlouquecendo? Então paro. Olho-me no espelho, afundo as mãos no cabelo e acabo deixando tudo pra lá, como sempre. Andava me confundindo perigosamente com suas personagens. Misturava-me com seus pensamentos e acabava engendrando uma lógica não minha de raciocínio. Já fui Ana Clara, Lia de Melo Shultz, até aquelas que não mereceram um nome. Mas a que mais se perde em mim – ou eu nela? – teve um: Lorena Vaz Leme. Uma menina alegre, leve, de passos flutuantes, que procura sempre a beleza das coisas, enfim… encantadora. Posso perceber cada passo da metamorfose e ainda assim de repente não sou mais eu quem segura o livro, mas alguém que não reconheço, alguém que estranho. Quando o fecho, o retorno à minha consciência.

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